Estou cercado por todos os lados
Pessoas diferentes com múltiplos pensamentos
E eu imerso em críticas próprias
Será que pertenço a este lugar?
Não aguento esperar a resposta
Fujo com vida intelectual
Mas alguns dali são aos meus olhos tão incríveis
Mesmo assim naquele momento são tolos em busca do nada
Me vejo na obscura treva do universo
Desejo sinceramente gritar a tolice das atitudes que observo
Porém minha voz fica paralisada ao perceber que não sou eu
Se fosse eu quem estivesse ali estaria progredindo algum saber
Contudo quem está ali é produto dos outros dentro de mim
Luto na esperança de retirar esse mal que entrou fortemente
Tentarei obter forças do meu cérebro inatingível por partes ruins
Enquanto saio dali tenho a pesada carga de notar a entrada de centenas
Existiria alguém ali com os mesmos sentimentos que eu?
Poucos olhos dialogam comigo dizendo que estão querendo sair
Como posso ajudar a sair se estou dentro procurando cordas para evadir?
Aquela multidão perpetuará indivíduos sem razão e recriará outros sem motivação
Ou pelo menos sem entrosamento digno de ser pautado
Nesse buraco quase infinito só os grandes sábios escaparão a tempo
Quero muito me tornar sábio na incerteza de ser menos corruptível
Todos meus sentidos estão empobrecendo na constante devassidão do lugar
O ser humano é tão frágil que chego a pensar o que leva alguém até aqui
Dilacero meu peito ao imaginar que seja apenas influência
Porque embora fraco e fácil de ser persuadido
O homem acredita em seus valores criados em sua cabeça
Cadê os princípios que regem as atitudes e coordenam às ações
Teria o espírito de luta morrido violentamente por aquelas conversas melodiosas
A busca por prazer venceria toda a razão de anos construídos
Formar mentes críticas ocorreria tão longe deste lugar
Pondo assim em risco a autodefesa dos ditos condenados a viver ali
Turbina minha cabeça ao analisar onde estou preso
Amarrado por correntes invisíveis que corrompem meu coração
Fazem isto por necessidade ou pela maldade intrínseca aos homens
Ouvi falar que o destino de algumas pessoas é busca a solidão para outros
Na ínfima tentativa de juntos sair de algum buraco interminável
Pobres coitados sem ideias inteligentes que os retirem de onde estão
Viver não é só entregar o melhor da vida aos estragos do prazer
Não sou contra o prazer, ao contrário busco incessantemente
Entretanto o lugar para conseguir não precisa degenerar a alma
Sendo corrupto a tal ponto de desenhar um caminho sem final
Finjo estar feliz com sorriso amargo na impossível esperança de ter alguém
Compartilhando comigo o enxofre da pena de detenção
A distância da saída diminui a cada vez que penso destemido
No objetivo ou na razão de estar ali com aquelas pessoas tomando atitudes naquele nível que faz sofrer como as rochas ao serem banhadas pelo mar
Pouco a pouco conseguirei força para sair antes que seja engolido por simples ideologias repulsivas aparentemente inocentes e prazerosas
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